segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A COISA

MANOEL HERCULANO          


Mas que coisa, dona xepa, dona doida, dona coisa!
Quanta coisa esquisita e tanta coisa já foi dita
ainda assim, me diga só mais uma coisa:
Que coisa é essa que vira e mexe nos prega uma peça?
Falo desse tipo de coisa que mexe com a gente
que não diz coisa com coisa e é urgente.
Coisa típica de quem não sabe que lhe cabe tudo que sabe.
Ah, isso é muita coisa para mim, tipo assim:                                                                                                                                                                              
“Alguma coisa acontece no meu coração”
“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”
“Só uma coisa me entristece, o beijo de amor que não roubei”
“Olha, você tem todas as coisas, que um dia eu sonhei pra mim”
“Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial”
Eita, que às vezes me dá uma coisa
que parece qualquer coisa que já conheço
com nome e endereço, mas sem começo nem fim
aquela coisa que não se sabe se é coisa boa ou coisa ruim
até que alguém nos diga: esqueça, isso é coisa da sua cabeça.
Mas uma coisa é certa, quem erra também acerta
porque uma coisa é uma coisa
e outra coisa é outra coisa.
Portanto, sugiro que primeiro você escreva e leia
para depois exclamar: que coisa feia!
Já não basta dizer que a coisa tá preta
nem ficar repetindo que é coisa feita
essas coisas ou aquela coisinha que não enfea nem enfeita.
Claro que gente fina é outra coisa e outra coisa é gente amiga
ou gente que diz: são coisas da vida, qualquer coisa, me liga...
Enfim, pode ser muita coisa para alguém o que pra você é pouco
e veja bem, isso não é coisa de louco.
Talvez seja coisa do destino, de outro nordestino.
Coisas de quem tem tino, tutano, de quem fica matutando.
É o tipo da coisa de quem tem quengo e uma curiosidade dosada
de quem faz um dengo e descobre quanta coisa pode ser coisada.
Mas cada coisa no seu tempo, no seu devido luar, nosso lugar.
Primeiro, a coisa boa da paquera, da espera para conhecer o céu
e antes do véu, o namoro e outra coisa chamada anel, para noivar.
Só então, olha que coisa, todos entenderão que a tal coisa
encontra-se na poesia de amar todo santo dia sem endoidar
um cônjuge que conjuga em todos os tempos o verbo coisar.



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*** E assim: as vezes quem decide é o poema. O que eu queria postar
não ficou pronto, e este, antigo, também não estava, mas conseguiu 
se impor de forma que... Bem, trata-se de uma brincadeira/ 
homenagem a uma figura da minha infância, dona ... (não lembro seu
nome), que se referia a quase tudo e todos assim... rsrs. Era uma coisa!
São 17:30h do dia 27/01/2014, ou seja, o primeiro poema do ano 
coisado aqui no Blog.
Agradeço as visitas e coisem, digo, voltem sempre. Grande abraço!

* PS: Uma prima falou que a senhora chamava-se Telvina. Eu lembro 
que ela era negra, casada com Seu Diquinho, que era branco e pai de santo.

* PS2: Hoje (08/05/14) fui prestigiar (não falei ...) o sarau Escritório, ali na esquina da
Mem de Sá com Gomes Freire (Praça). Começou à tarde, teve homenagem a Amir Hadad,             que esteve lá e caiu?... Bem, fui mais de 20h (vasta programação), e fiquei
um bom tempo, e encontrei várias pessoas conhecidas, e ouvi um poema neste estilo, sobre
COISAS, que coisa! Muito bom.

  

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