domingo, 17 de janeiro de 2010

UM LOUCO

MANOEL HERCULANO


Não, não, eu não sou doido, muito menos maluco
Ainda não mordo, não rasgo dinheiro, estou no lucro
Eu também não como cocô, e se você acha pouco
Saiba que sou poeta e ator, enfim, sou um louco
Mas alto lá, aqui, acolá, a loucura tem sua razão
Através dela, aquela minha lucidez tem vez, dá vazão
Até porque, a essa altura, a poesia e eu já não temos cura
Faz parte do risco da arte, esta consciente loucura
Então eu grito, sem o coração aflito: sou louco
Acho que soa bem, a loucura do belo, do bem, do broco
Porém, não descuide da sua loucura, nem abuse da mistura
Doido, louco, maluco, tudo junto, ninguém atura
Escolha seu bloco, não perca o foco, faça acontecer
Preste atenção na natureza, na beleza da lua, do anoitecer
Agradeça a inspiração, a respiração, o amanhecer
Apareça pelo que faz, pelo que é, pelo que quer ser
Prefira sempre a sabedoria do doido, do louco, do maluco
Pois a ideia gira, transpira, e pensamento morto não dá suco
Enlouqueça, mas enlouqueça conscientemente
Faça e aconteça, com razão, emoção, corpo e mente
E se você não for o mais garrido, nem penta, nem tetra
Seja a sua própria fortaleza
Mesmo sendo doido varrido, um louco de pedra
Ou, com certeza, maluco beleza


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*** MADRUGADA DO DIA 18/01/2010, E EIS AQUI UM DOS ÚLTIMOS POEMAS FINALIZADOS. ACHO A LOUCURA INSTIGANTE. NÃO A DOS QUE NÃO SE DECIDEM, QUE NÃO ENTENDEM A PRÓPRIA LOUCURA E PRECISAM, DE FATO, DE UM PSIQUIATRA... COMO FALO NO ESPETÁCULO: VIVA A LOUCURA LÚCIDA, LÚDICA!!!

Um comentário:

Rogério Rasées disse...

Compreendo perfeitamente essa loucura... mas é doce, não quero cura... Parabéns Manoel!