terça-feira, 9 de dezembro de 2008

DESCOMPOSTO

MANOEL HERCULANO

Dia desses eu acordei e me senti assim, como direi, um tanto descomposto
Isto, antes de ver este meu exótico rosto
Sei lá, eu me sentia meio sem graça, mal acabado, sem sal
Uma verdadeira farsa, sem aquela beleza de sábado, sem nenhum apelo sensual
Um ser que nem de longe lembrava alguém com borogodó, etc e tal
E quando me olhei no espelho, me assustei
Custei a acreditar que aquele era eu
O fofo, a coisinha mais linda da mamãe! Cadê? O que aconteceu?
O amado, o inteligente, o engraçado, o importante
Mas aquilo, sem estilo, tão desinteressante!
Dei meia volta e em seguida dei a volta por cima
O quê que há! Pra cima de muá? Digo, pra cima de mim?
Não, decidi, isso não vai ficar assim
E já no clima, apelei para o humor, o amor, a rima
E como primeira providência, sem clemência
Coloquei o espelho de cara pra parede
Deve ter dormido na rede, sem conforto e amanhecido todo torto
Imagina, me sentir daquela forma
Só porque o espelho acordou fora de forma
Não, a reação foi imediata, na lata:                                                                                                       Lavei o rosto, escovei os dentes, arrumei os cabelos, esnobei os pentes
E sem apelos, após o café
Novamente eu me pus em pé, na frente dele
Firme, seguro, nem parecia aquele
E repetia confiante: sou interessante!
Não deu outra, só deu eu
Frente a frente com o espelho
E já vendo tudo azul, branco, vermelho
Eu perguntei: espelho, espelho meu...
Nem concluí, eu mesmo respondi: lindo!!!

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Obs: ESTE FOI O PRIMEIRO POEMA DA SÉRIE "ESPELHO". E ME PROPORCIONOU CONHECER VÁRIAS PESSOAS BACANAS, ENTRE ELAS, A MÃE DA Natalie, MINHA AMIGA Aline Reis, QUE FEZ ESTE BLOG PARA MIM E ME CHAMA DE PÁSSARO!!! NUNCA PERGUNTEI QUAL DELES...

2 comentários:

Cristina disse...

Ah...
O Poeta interessante e o espelho dissonante,
duelam ali,
duelam acolá
Espelho, espelho teu...
Que mistérios vai nos revelar?
Numa trincheira de Eus a munição vem da imaginação.
Manuel & Herculano
è melhor que dois em um,
É MAIS!
Beijos da cigana
Cristina Terra

Victor disse...

Um dia desse, sei lá. Me vi no espelho, um cara sem graça. Me virei com muita raça e disse, estou cansado dessa vida, onde esta a graça. Foi quando fui a praça e com toda a graça conheci a poesia. Que me enche de alegria até das mais devassa. Fez me conhecer amigo. Como o Maneco, parabéns grande poeta. Como sempre digo este poema e dos meus preferidos.