domingo, 24 de abril de 2011

TANTAS VEZES

MANOEL HERCULANO

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Às vezes me canso de ser alto mar e volto a ser um manso leito de rio
Quando insistem em me fazer chorar, enxugo lágrima por lágrima e rio
E quando me mandam calar, eu abro o bico, nunca fico sem dar um pio

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Certa vez me apaixonei e perdi a paz, mas tanto faz se o amor não é vil
Aprendi que dois é bom e três é demais, embora goste de ouvir um trio
Entendi o que faz uma vírgula a mais, ou a menos, ou a falta de um til

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Vez ou outra, diante de um fato, eu prefiro seguir andando por um fio
E de vez em quando enjoo de ser pacato e rapidamente entro no cio
Muitas vezes ouço: nossa, que gato! E em outras: olá, tudo bem, tio?

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Quantas vezes, nos confrontos, eu Caetaneio com Djavan, Chico e Gil
Deus sempre me dá uns descontos, e eu canto: Dio, come ti amo, Dio
Não me vendo nem entrego os pontos, a não ser por milhões vezes mil

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Tantas vezes, em pleno verão, decido mudar de estação para sentir frio
Sou assim, solidário à solidão, tenho meus princípios, eu tenho brio
Nunca brigo com a inspiração, simplesmente eu lavro minha mente e crio

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/// Neste 25 de abril (já é 00:50h), como meu presente de aniversário, resolvi postar este poema que escrevi em 2009 e que gosto muito, embora, para variar, tenha pintado a dúvida se realmente estava pronto... Mas enfim, agora está aqui. Digam-me TANTAS VEZES quiserem o que acharam. Feliz Páscoa (ontem e sempre) e até breve!