quarta-feira, 28 de setembro de 2016

HISTÓRIA DE CONTADORES

MANOEL HERCULANO


Era uma vez, duas, três
mas toda vez parecia que era a primeira vez
Porque história é assim, continua após o fim
e quem conta história já sabe
o mundo que a imaginação cabe
São malas e malas de sonhos
caixas e pacotes de viagens
para onde realidades viram miragens
E os contadores
esses nem lembram de suas dores
quando vestem o jaleco
e despem-se de alguns pudores
naquele instante são doutores
Acreditam na loucura que os chamou
na cura pelo amor
A resposta vem em forma de sorriso
de olhar encantado
outro agradecimento nem é preciso
objetivo alcançado
Eles desfazem a trama, fazem a cama, o laço
só não dispensam o abraço
para colar cada pedaço da própria alma
que ouve outro tipo de palma
antes de seguir para a próxima missão
para o próximo olhar de confissão
e continuar repetindo: Era uma vez
viva e deixe viver, era outra vez
como quem não sabia que era impossível e fez
Histórias que confortam os que suportam
o que está por vir
que despertam e que fazem o boi da cara preta dormir
Histórias que nos levam para o futuro
para os tempos passados
e trazem ao presente nossos antepassados
História de mãe, de tio, de vó
de quem lê e de quem fala de cor
História que desponta sem disputa
feito oração para quem conta, para quem escuta
Fortalecendo assim aquele fio de vitórias
renascendo enfim neste Rio de Histórias

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*****E este eu fiz recentemente, minha homenagem aos
contadores de histórias, especialmente do projeto Viva e
Deixe Viver / Rio de Histórias, que tenho me apresentado nas
festas de formatura a convite da Regina Porto. Viva!
Agora são 21:15h do dia 28 / Setembro / 2016. 
Obrigado pelas visitas aqui no Blog. E muito em breve
o meu primeiro LIVRO! Está chegando: Ô DE CASA,
RIO MARANHÃO!
Grande abraço para todos!  

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

MENINO, MENINO

MANOEL HERCULANO


Bem vindo à selva
Por favor, entre, sente-se, se sirva
Mas antes, pose para uma selfie
Nome: Luiz Manoel da Silva

Menino, menino, aonde você pensa que vai
assim, sem mãe nem pai?
Olha aqui, olha lá, aqui não é acolá
a selva é urbana, não é humana
Salve-se, você é apenas um Silva
e quem não é salvo vira alvo
na selva urbana primitiva
Trocar tua cabana por Copacabana
por um barraco na periferia?
Ah, cidade maravilhosa, como eu também queria!

Pai, eu vou, mãe, me solta
Eu prometo, vai ter volta

E aí eu fui, fui ver qual era
de repente parecia que eu vivia em outra era
falei: já é, já era
Porque não era uma vez
era toda vez, todo santo mês
Não tinha o que colher, o que comer
era de se envergonhar
às vezes não tinha nem o que sonhar

Menino, menino, presta atenção
você não acha que é muita pretensão
um sonho tão alto, sair da roça pro asfalto?
Na selva urbana não tem só animais e homens do mato
tem também o bicho homem que diz:
perdeu, me passa o que é teu ou eu te mato

Rio de Janeiro não é um riacho
com canoas deslizando rio abaixo
Sim, é um Rio lindo
como a poesia de uma tarde caindo
Mas é cheinho de novidade e confusão
eita lugar pra ter ilusão, inspiração
muito mais que no rádio e na televisão
Rio de outra vertente
nosso Rio que não nos pertence

Mas sobre isso eu não quero falar
sobre isso eu não vou calar
Porque não basta fazer barulho
tem que encher o peito de orgulho
Subir morro, descer ladeira
apesar dessa ordem desordeira
Sempre com um poema em riste
e aquela esperança corajosa que resiste

Menino, menino
a essa altura da vida
debaixo desse céu
que te salve a leitura
Nossa Senhora Aparecida
Padim Padre Cícero
e a literatura de cordel
E tudo mais o que a Escola da vida ensina
Menino, não desanima, não desanima

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***** De volta, e com mais um poema encomendado.
Eu gostei, e você? Diga-me. Já é dia 16/08/16, 00:30h.
Obrigado. Abraço.



quarta-feira, 1 de junho de 2016

FOI EM ABRIL

MANOEL HERCULANO
                                

Era um lugar no meio do mato
no mês quatro
do ano de mil novecentos e um bocado
E como se fosse no atacado
uma cegonha me despachou decidida
sem cerimônia fez recomendações
e disse mais, antes da partida:
vai em paz
não tenha vergonha
vai ser caipira na vida
Fazer o quê
eu vim
questão resolvida
Foi assim que abril me abriu as portas
abriu as comportas das minhas represas
e nem nos meus delírios
ouvindo sinos, seguindo círios
desconfiei que aquelas águas me reservavam tantas surpresas
Demorei, ponderei
mas caí no mundo
e não saí pelos fundos
abri a porteira da frente
rumei pra cidade
a parteira
a palmada
aquela madrugada plangente
deram o tom da minha identidade
Foi neste mês
naquele dia
que pela primeira vez fui diagnosticado com poesia
Porque o destino é ágil
sempre agiu, aqui e lá
E ainda age
em todo lar, em toda laje
Olha quanta coisa tem acontecido em abril
desde aquele dia amanhecido até esses anos dois mil
tem o dia do livro
do Indígena
do descobrimento do Brasil
E tantas datas não comemoradas
nas matas de Santa Isabel
todas relembradas em outras madrugadas
quando cheguei na Cidade Maravilhosa de Vila Isabel
Perdoem a falta de modéstia e tanto convencimento
mas abril é uma cortina se abrindo
uma nova oportunidade me sorrindo
é São Jorge no fortalecimento
um palco iluminado
para grande cena de renascimento

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*****De volta com mais uma homenagem e, deixando a modéstia de lado (fazer o quê?), a mim mesmo... rsrs. Foi quando fiz aniversário, decidi postar agora. Que tal? São 20:30h do dia 01/junho/2016. Gosto muito deste mês, das festas juninas. Abraço!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

NORDESTINO NATO

MANOEL HERCULANO

  
- Está no seu destino
foi o que aquela jovem senhora me disse
e num desejo repentino
quase pedi que ela repetisse
Porque, previsões à parte
seja lá como for
em nome da arte, da crendice, do amor
sempre tive dúvidas sobre o impossível
Tá certo que eu não era assim um letrado
mas o incrível é que, para quem sonha
todo sonho é crível
E eu já havia me retratado 
por não ter diploma nem mestrado
É que no sertão acontece assim
tem a lição, a missão, mais Não que Sim
e tem gente que mal aprende a ler
já sai falando em latim
Confesso, no entanto
que lá no agreste nordestino
nenhum homem nem santo
me contou sobre os versos alexandrinos
Mas entre predicados e prediletos
diálogos, diagnósticos, dialetos
eles me falaram com poesia
gentileza e outros afetos
meus grandes mestres semianalfabetos
Sou muito agradecido às professoras
aos escritores, educadoras, contadores
As histórias que eles me contaram 
são contas e contos deste meu rosário
e também dos colares
que enfeitam meus encontros com a poesia
Porque sem blasfêmia nem heresia
existe poema que equivale a uma homilia
Talvez, por isso
este meu compromisso
E quando ela disse que estava no meu destino
eu que sou meio de véspera, vespertino
não acreditei nem duvidei
apenas me ''herculanizei'' e segui obstinado
Hoje, décadas após ser desafiado
ainda meio desconfiado, acho que
é bem provável que ela tivesse razão
A poesia é meu brasão
o Maranhão, meu estado poético
meu autorretrato
eles confirmam: sou um nordestino nato

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*****Demorei um pouco mas estou de volta.
Mais um poema inspirado no que vi, vivi, ouvi.
São 20:35h do dia 6/4/2016 
*Revisto em junho / 2022
*Para entrar no livro POEMAS SÃO DESTINOS / 2022
*15 anos de Poesia!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

TRIBO DARCY

MANOEL HERCULANO


Toda gente educada, todo educador
Seja de lá ou daqui
Aprendeu e é sabedor
Toda Escola tem um quê de Darcy
Porque o sonho se espalha
E todo ideal é ideia real
Não é fogo de palha
O ano todo, todo ano letivo
Tem início, há indício
De um grande plano coletivo
E quem não vai à Escola
Quem não tem o escudo do estudo
A vida escolhe, engole, esfola
Então viva os Ribeiros, os ribeirinhos
Os primeiros a abrirem caminhos
Os alunos, os professores
Outros rumos, os precursores
Ele foi da tribo da educação
Hoje é trigo para quem busca formação
Norteado por uma alma seduzida
Foi feito para comer a vida
Com todos os sentimentos
Faminto de fazimentos
E foram tantos sonhos, tantos feitos
Tantas peles, tantos defeitos
Que resultaram em esperança e fé
Portanto lhe digo gracias, thank, merci
Aliás, o que quero dizer mesmo é
Muito obrigado, mestre Darcy

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 ***** Mais uma homenagem, desta vez a
Darcy Ribeiro. Estava lendo sobre ele e...
Poesia! Acho que é um bom começo de ano
aqui no Blog, o primeiro de 2016. È 00:55h
do dia 28 de janeiro. Grande abraço.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

GULA DE GULLAR

MANOEL HERCULANO

Concretamente
de um poema dos bons eu não fujo
mesmo sendo um poema sujo
E quando digo bom, qualquer que seja o tom
não falo neoconcretamente de bom gosto
Porém, para o meu gosto e refúgio
cito como exemplo o dito cujo
Um poema sujo passado a limpo
achado na lama, entre as pedras daquele garimpo
feito a gente, de passado e presente, ficou um brinco
Mas o momento não era para brincar
e até a poesia queria reivindicar
porque apesar de todas as sagas
tantas chagas, não há vagas?
No exílio da canção surge um poema atemporal
sem auxílio, sem bênção, após a luta corporal
E o trenzinho do caipira, carregado de saudade de nós dois
saudade do voo da pipa, da pipira
do nosso feijão com arroz
Porque lá no Maranhão, num recanto de São Luís
alguém já não queria ter razão, queria era ser feliz
Foram 85 em setembro, 1975 de maio a outubro
se bem me lembro, depois de tantas primaveras o descubro
e dentro da noite veloz, aquela tosse, aquela voz
Lembranças do fundo dos baús, do voo dos urubus
lá para os lados da fábrica, na palafita
onde não se via mágica nem meninas com laços de fita
só o sonho saudando a Ilha do Amor, do pai, do avô
Uma pessoa que cabe tantos anos bem vividos
tantos versos criativos, tantos ossos ativos
Um Ribamar que nadou em outro mar
que respirou outros ares, ilhado em Buenos Aires
e longe da Ilha, da família, do Brasil, do rio Anil
Mas de quase nada me excluo, quase nada eu expurgo
porque em casa de Ferreira o poeta é também dramaturgo
e antes do epílogo, escreveu e até falou em decassílabo
com todo encanto, sentimento, espanto
Existe ócio criativo?
E poeta vivo, existe?
Ou é a poesia que resiste em cada vírgula da crônica
no traduzir-se de cada sílaba tônica?
Uma certeza:
Há quem tenha gula de guloseima e não consiga regular
e quem engula poesia como quem tem gula de Gullar

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*****Mais uma homenagem porque, o maior poeta brasileiro
vivo é meu conterrâneo! Seu aniversário foi em setembro mas o
poema só ficou pronto (será?) bem depois, e aqui está. Inspirado basicamente no Poema Sujo. Será que ficou à altura? Viva Ferreira Gullar!
Agora é 1:40h do dia 3 de dezembro de 2015. E ontem (dia 2) assisti
o filme "Chico". Ufa!



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

OUTRAS FALAS II

MANOEL HERCULANO

I
Com você eu falo
Com Frida Kahlo
II
Viva Manoel de Barros
Viva todos os Manoéis
Nas cidades e nos bairros
Onde não vão Papais Noéis
III
Sem mágoa eu topo
Você água eu copo
IV
Esse frio, essa chuva, esse Rio, essa curva...
A noite promete para quem é edredom ou luva.
V
Paz e Bem aos Nordestinos
Seu Norte, meu Nordeste
Nossos destinos
VI
Sou como o som que já soou
Vou com o sonho que já voou
VII
Rio de alegria, Rio de lágrimas
Rio de poesia em todas as páginas
Rio 40 graus o coração aguenta
Mas o Rio agora é 450
VIII
Por mais que eu crie asa
Aquele quintal sempre será minha casa
IX
Meu amor pediu mais liberdade
Eu dei mas já sentindo saudade
E andei esperando, esperando, esperando
E o meu amor voando, voando, voando
Quando lembrou de voltar para casa
Eu também já tinha criado asa
X
Nem todos os amores passam
Alguns ultrapassam
XI
Sou igualzinho aos ranzinzas
Tanto que só caio na folia
Se na quarta feira de cinzas
Eu ressurgir da poesia
XII
Sou meio assim
Início e meio
Meio sem fim

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*****É isso, voltei com este formato que entrará no livro.
Agradeço as visitas, sei que algumas pessoas tentam e não
conseguem comentar... não sei o que acontece. São 18h
(horário de verão) do dia 23/10/2015. Grande abraço!