MANOEL HERCULANO
Amor? Já insisti
Principalmente durante as primaveras, que ainda contemplo
Amei, amo e amarei, deveras, nas horas floridas de setembro.
Ciúme? Já resisti
Possivelmente diante dos outonos, dando o meu exemplo
Folhas caindo em profundos sonos, é somente o que eu me lembro.
Traição? Já desisti
Provavelmente mediante os verões, que destroem templo
E são quentes demais para as canções, que nascem em dezembro.
Amor, ciúme e traição: essa junção deságua no inverno
E acaba em união, em separação, em inferno.
Com uma pitada de ciúme, o amor poderá sofrer traição
É uma cilada, um azedume, dor e contradição.
Mas sem este triângulo, seríamos fracasso ou sucesso?
Amor, admito; ciúme, omito; traição, não confesso.
Amor, ciúme e traição, quem está com a razão?
Cada um defende a veracidade de sua versão
E cada versão é parte de pelo menos três verdades, uma doideira:
A verdade de um, a verdade de outro, e a verdade verdadeira.
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Obs: Outro com tema sugerido pela OLDI. Nada pessoal...
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
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