MANOEL HERCULANO
Decreto, sem lamento, lente de aumento ou lupa
Declare, sinceramente: de quem é a culpa?
De quem é ignorante ou de quem tem alma culta?
De quem faz tudo às claras ou de quem oculta?
De quem nada faz ou de quem de tudo se ocupa?
De quem relaxa ou de quem só se preocupa?
De quem aceita provocação ou de quem insulta?
De quem é gente adúltera ou de quem adultera a vida adulta?
De quem não usa camisinha ou de quem disso resulta?
De quem erra o diagnóstico ou de quem não vai à consulta?
De quem pariu ou de quem é filho do que computa?
De quem vota em ladrão ou do eleito que furta?
De quem faz análise ou de quem simplesmente surta?
De quem tira onda ou de quem nela surfa?
De quem é árvore ou de quem prefere ser fruta?
De quem usa a inteligência ou de quem opta pela força bruta?
De quem tem mão boba ou da via de mão dupla?
De quem paga ou de quem aplica a multa?
De quem espera cair do céu ou de quem vai à luta?
De quem faz corpo mole ou de quem se mata na labuta?
De quem lê o tablóide ou do analista que sem explicação, exulta?
De quem prega que tudo pode ou de quem defende rédea curta?
Desculpa, mas se tudo pode, então não Freud com esse papo de culpa.
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*** MAIS UM POEMA NASCIDO NA OLDI. APÓS LEITURA DE "ENIGMAS DA CULPA", DO MOACYR SCLIAR, A MISSÃO ERA ESCREVER SOBRE ESSE TEMA NADA PALPITANTE... E POIS NÃO É QUE RENDEU?! DA MINHA PARTE, ESTE FOI O RESULTADO. ALIÁS, NADA CONTRA ESSE E OUTROS TEMAS CONSIDERADOS NÃO MUITO PALPITANTES. SEMPRE RECORRO À SOLIDÃO, POR EXEMPLO. LITERALMENTE...
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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