domingo, 23 de maio de 2010

E U . . . N Ó S . . .

MANOEL HERCULANO


EU AMO do meu jeito
cheio de defeito
trejeito
dor no peito
TU AMAS de outra forma
com regra
norma
como um eleito
ELE AMA todas
tudo
sorrindo
sisudo
todos de amor refeito
NÓS AMAMOS uns aos outros
feito potros
garotos de dezesseis
VÓS AMAIS de qualquer maneira
plantando bananeira
talvez
ELES AMAM como se fosse a única vez
na vida
no ano
no mês

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Voltei (volto sempre), falando de amor... hum!!! Nesta madrugada de 24/05/2010.
Terminei este poema ontem e, feliz, por ser pequeno, antes de me estender a outros pronomes, postei logo. Comentem!!!

domingo, 9 de maio de 2010

NÃO SEI NÃO

MANOEL HERCULANO


Já não sei por onde anda e com quem anda meu coração
E os meus pensamentos mais fiéis, cruéis
Ah, esses, eu também não sei não

Perdi o meu olhar de vista
Perdi o medo de me molhar na pista
E aquele sorriso mais sincero, singelo
Do eu que se comove com a chuva que só em mim chove
Aquele lá, já não sei para quem dar, ficou amarelo

Já não sinto tanta saudade do que não vi, não vivi
Mas ao quinto, e outros amores, eu sobrevivi
E daquele projeto incrível, impossível, não desisti

Hoje meus sonhos são um tanto leais, e tão reais
Que não quero mais quem eu sempre quis
Não pretendo voltar para o bis
Nem dedicar uma vida, aparentemente resolvida
Para ter apenas um, algum, e talvez outro, momento feliz.


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Antes de completar um mês sem postar!... Este eu catei no baú, dei uma repaginada e aqui está, às 2h da manhã do 10/05/10 ( que data!), pós dia das Mães. Parabéns, Saúde e Felicidades para todas, especialmente a minha, Mariazinha, que está lá no meu Maranhão! Como a última postagem foi em homenagem às mulheres... Até breve!!!
P.S. Não teve jeito, mexi no poema depois de postá-lo... Fazer o quê?

domingo, 11 de abril de 2010

D O N A S

MANOEL HERCULANO


Mulheres, pior não tê-las
Pois mesmo as tendo, como sabê-las?
Mulheres de Atenas, atentas, de antenas ligadas
Mulheres de vários nomes, vários homens, emancipadas
Mulheres de Chico, que ficam de chico, e chutam o pinico
Mulherzinhas, mulheronas, tuas, minhas, mulheres de zonas
Zona sul, zona norte, natural da zona rural, o braço mais forte
Mulheres amadas, amantes, de décadas passadas, e de bem antes
Mulheres mães, irmãs, mulheres guerreiras, brasileiras, meio alemãs
Mulheres belas, feras, ferinas, mulheres amigas, formigas, e femininas
Mulheres que puxam a peixeira, para muitos talheres, mulheres mandonas
Mulheres de primeira, com RGs, TPMs, CPFs, que comem PFs, ou Madonas
Queira ou não queira, homens são chefes, mas elas, elas são as verdadeiras donas.


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--- Mais um poema encomendado (está ficando quase natural para mim...). E claro que foi inspirado em "Mulheres de Atenas" do Chico Buarque. Resolvi postá-lo nesta madrugada do dia 12/04/2010. São exatamente 3h. Ainda em homenagem às mulheres!...

domingo, 14 de março de 2010

O QUINTO AMOR

Manoel Herculano


Todos, ou quase todos, lembram do primeiro beijo, do primeiro amor, da primeira vez
Eu diria que, talvez, tenha uma vaga lembrança
Não que eu fosse assim tão criança, ou que não tenham tido importância
Mas é que a minha alma se agita, esperneia, grita
E o bode velho do meu coração parece uma cabrita
De tanto que pula aqui no meu peito, que palpita
Me deixando sem saber o que ainda sinto
É quando eu me lembro daquele amor, o quinto
Ah, como o quinto amor me marcou!
Tanto que eu nem ouvia sinos, como os outros meninos
O que eu ouvia mesmo eram tambores
Por isso nunca o esqueci, entre tantos amores
Meu quinto e querido amor, jamais esquecerei o som daquele tambor
"Os tambores de São Luís", de Josué Montello
Porque "assim é se assim lhe parece", como diria Pirandello
Ou "Os tambores de Minas", do Milton Nascimento
Apenas um alento, uma recordação de um momento tão singelo
Nós dois naquele chão de mármore, admirando o quadro daquela árvore
Onde eu ficava à sombra, sem chinelo, e com pensamentos que não revelo
Eu lembro com carinho de outros amores
Mas antes do quinto, infanto-juvenis, muito sonhadores
E os que chegaram depois, com ar distinto, não pedi bis, amadores
Portanto, que rufem os tambores, de Minas e de São Luís
Pois tenho quase certeza que só com o quinto amor eu realmente fui feliz
Mas sem rancores, e mesmo que eu chegue à quinta idade
Com minhas dores, amparado por meu chinelo e meu pijama amarelo
Ainda assim acreditarei numa possibilidade, sem saudosismo da sempre efêmera mocidade
E seja como for, todos os primeiros beijos, as primeiras vezes
Os amores de muitos anos ou poucos meses
Todos foram e serão, com louvor, em nome do meu quinto amor
Há quem minta e renegue os amores de quinta
Exaltando somente os amores à primeira vista, os pseudo-eternos
Desprezando os amores quentes, que pegaram fogo e queimaram no quinto dos infernos
Eu lembro como um todo, inclusive de um ou outro meio morno
Mas, sem lero-lero, eu relembro mais o que me tirou o chão dos pés
Porque, fala sério, o meu quinto amor, foi DEZ!


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*** Pois é, no Dia da Poesia, atendendo a pedidos (sim, pe-di-dos. Foram mais de dois...), decidi postar O QUINTO AMOR, este poema que escrevi já há algum tempo, fez sucesso na OLDI (onde ele nasceu), faz sucesso no espetáculo, nos eventos, e mais recentemente, nos CORUJÕES, tem sido muito pedido pela Natália Parreiras (obrigado), que está (?) solteira! E outros, que já viveram ou querem viver O QUINTO AMOR (no meu caso... não vem ao caso). E também o Flávio Chedid (obrigado), que desde que o ouviu no último Corujão da Poesia - Leblon (dia 9, com Jorge Ben Jor, o padrinho), vem me pedindo, por estar vivendo O QUINTO AMOR. Ah, preciso agradecer também o Tavinho Paes, que já o pediu algumas vezes. E sendo assim, viva a POESIA e o AMOR, principalmente O QUINTO!

P.S. Olha só, eu fui citar nomes, acabei cometendo injustiças. Claro, Marina "morena" Marina Vilela, você também tem dado a maior força para este poema. Muito obrigado, e pode divulgá-lo à vontade. Beijos. Valeu!

sexta-feira, 5 de março de 2010

T I N T I M

MANOEL HERCULANO


POR TI
POR MIM
TINTIM POR TINTIM
NA TERRA DO OLHO POR OLHO
DENTE POR DENTE
DE REPENTE
ELAS POR ELAS
QUATRO POR QUATRO
ELES NA DELAS
POSES AMARELAS PARA RETRATO
SEIS POR MEIA DÚZIA
DEGRAU POR DEGRAU
GATO POR LEBRE
E NADA MAIS QUE UM MIAU
VIVER POR VIVER
NÃO LEVA A LUGAR NENHUM
SÓ VOU SE FOR UM POR TODOS
TODOS POR UM

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*** Este, talvez seja apenas um brinde mesmo...
Quanto ao horário, é 1:40h do dia 06/03/10

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

M E N I N Ã O

MANOEL HERCULANO


Aconteça o que aconteça, o encontro acontece, casualmente, toda terça
Por volta da meia-noite, poemas e canções latentes, doem como um açoite
E então, Corujas em ação, cruzam a cidade, na velocidade de um rojão
Chegam voando, avoados e pousam entre letras e expressões do Corujão.

São tantos poemas e poetas, melodias certas, e corações dando incertas
Que a poesia se materializa, e na prosa das Bibliotecas, o verso se realiza
Até madrugada fria esquenta, se alonga, e nem carece ter paciência de Jó
A fila anda, senta, se prolonga, acaba em festa, igual música do Ben Jor.

Livros e contos, contos de fadas, palavras escritas e faladas de todo sabor
Amizades, encontros, novidades, achados e perdidos, perdidinhos de amor
A noite vira um Meninão, de quatro anos, com toda sua peculiar rebeldia
Coruja que se presa faz planos, alça voo, dá show, no CoruJoão da poesia.

Mas hoje é primavera e, sem nostalgia, a palavra de ordem é a-ni-ver-sá-ri-o
Se é terça a gente reza, com alegria, uma prece, um terço, e até um rosário
Corujas, Luas, Jorges, metamorfoses, noite após dia, a pá lavra até o sol raiar
E salve simpatia, porque a poesia quer mais, muito mais vida para aniversariar.


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*** ESTE EU FIZ QUANDO O "CORUJÃO DA POESIA" COMPLETOU 4 ANOS, EM NOVEMBRO/2009.
ESTOU SEMPRE LÁ, TODA TERÇA-FEIRA A PARTIR DA MEIA-NOITE. LIVRARIA LETRAS & EXPRESSÕES, NA ATAULFO DE PAIVA - LEBLON. JORGE BEN JOR É PADRINHO DO EVENTO, E DE VEZ EM QUANDO PASSA A MADRUGADA COM A GENTE. A COORDENAÇÃO É DO PROF. JOÃO LUIZ.

domingo, 17 de janeiro de 2010

UM LOUCO

MANOEL HERCULANO


Não, não, eu não sou doido, muito menos maluco
Ainda não mordo, não rasgo dinheiro, estou no lucro
Eu também não como cocô, e se você acha pouco
Saiba que sou poeta e ator, enfim, sou um louco
Mas alto lá, aqui, acolá, a loucura tem sua razão
Através dela, aquela minha lucidez tem vez, dá vazão
Até porque a essa altura, a poesia e eu já não temos cura
Faz parte do risco da arte, esta consciente loucura
Então eu grito, sem o coração aflito: sou louco
Acho que soa bem, a loucura do belo, do bem, do broco
Porém, não descuide da sua loucura, nem abuse da mistura
Doido, louco, maluco, tudo junto, ninguém atura
Escolha seu bloco, não perca o foco, faça acontecer
Preste atenção na natureza, na beleza da lua, do anoitecer
Agradeça a inspiração, a respiração, o amanhecer
Apareça pelo que faz, pelo que é, pelo que quer ser
Prefira sempre a sabedoria do doido, do louco, do maluco
Pois a ideia gira, transpira, e pensamento morto não dá suco
Enlouqueça, mas enlouqueça conscientemente
Faça e aconteça, com razão, emoção, corpo e mente
E se você não for o mais garrido, nem penta, nem tetra
Seja sua própria fortaleza
Mesmo sendo doido varrido, um louco de pedra
Ou, com certeza, maluco beleza


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*** MADRUGADA DO DIA 18/01/2010, E EIS AQUI UM DOS ÚLTIMOS POEMAS FINALIZADOS. ACHO A LOUCURA INSTIGANTE. NÃO A DOS QUE NÃO SE DECIDEM, QUE NÃO ENTENDEM A PRÓPRIA LOUCURA E PRECISAM, DE FATO, DE UM PSIQUIATRA... COMO FALO NO ESPETÁCULO: VIVA A LOUCURA LÚCIDA, LÚDICA!!!