segunda-feira, 6 de outubro de 2025

POESIA ADÉLIA

MANOEL HERCULANO 


Se é para falar dela, confesso, acho de muito bom grado 

Falar da poesia Adélia, é estar na cozinha com a Prado 

Degustando versos de panela, saboreando um bom prato 


Caseira, casamenteira, tem um quê da gente, de toda gente 

Poesia que nasce em casa, de parto normal, vida acontecendo 

Numa casa alaranjada, constantemente amanhecendo 


Ela segue encantada, se reconhecendo mulher desdobrável 

No improvável universo onde cotovelos se esbarram 

Olhares cúmplices narram seu dia com frases de carinho 

E coisas prateadas espocam feito amor feinho 


Dona de casa filósofa, Dona Doida das Minas Gerais 

Com poemas dos quintais e alguma coragem 

Encheu de cotidiano as páginas do livro Bagagem 


Poemas divinos, Divinópolis 

Jardim de ora-pro-nóbis

De onde jorram versos igual um chafariz 

Simples e vencedores do prêmio Machado de Assis 

Coisas de quem nasce com fé e dom 

Abençoada mulher, bênção de Drummond 


Num dia a dia inspirado, sentimento nem quer discutir 

O coração disparado, de professora ao prêmio Jabuti 

Também, com uma mãe que cozinhava, mas cantava 


Ainda bem, ideias e desejos se movem 

Porém, melhor que fatia de bolo

É saber que Deus é mais belo que eu, e não é jovem 

Isto sim, é consolo 


Miserere, que o bom humor nos tempere 

Das premissas às missas 

Poemas escritos a plenos pulmões 

Tão irrestritos que chegaram a Camões 

Adélia, esses prêmios e aplausos são dela 

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E após tanto tempo, de volta com esta homenagem para Adélia Prado, poema que fiz para falar em minha apresentação na Flist / 2025, no Parque (das Ruínas) Glória Maria em Santa Teresa, RJ. Ela e Milton Nascimento foram os homenageados, para ele fiz pot pourri. Falei e entoei poemas no palco externo. 

Quando/se publicar em livro, pretendo rever. Já tenho 3 livros publicados: Ô de Casa - Rio Maranhão, Todos são Poetas na Praça, Poemas são Destinos. À venda somente comigo, na #QuitandaMH

Até qualquer dia!

Meu Instagram: @poetamanoelherculano

🌎🙏🏽📚🌵🌴⛵️🎭🎶

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

FIRMEZA, SIM?

MANOEL HERCULANO


E o rio foi ao encontro do mar
foi se derramar em prosa e poesia
Água corrente, árvore contente
tudo registrado na memória da gente
Após Ler e Contar, Contar e Ler de manhã
e no Proler, com sua longa barba de lã
foi para outra freguesia, fez a Travessia
mas nos deixou seu memorial
cheio de luas, ventos e luzes, aurora boreal

Atravessou rios acreanos, tantos anos
acenou no rádio, teatro, fez outras trajetórias
pelos rios do rio Branco
Rio de Janeiro, Rio de Histórias
E foi assim até o meio daquela tarde
em que uma pipa sobrevoou o céu
quem viu, quem ouviu, tirou o chapéu
para as cantorias, alegrias desde criança
e nas andanças com suas delícias e dores
ou nas palavras dos Veínhos Narradores
Porque Avô + Avó = A voz
É Nós, e as Lembranças Amorosas de mim
com as cartas na mesa e firmeza, sim?
Como se não bastassem tantas bonitezas
mandou caiar sua Casa da Leitura
caiou de amarelo, tons singelos de literatura

Oficinas, livros, encontros de afetos vivos
tudo está nos Guardados do Coração
Aquela trouxinha de carinho e oração
aquele grão de areia entoado até o fim
arroz e feijão roxinho, receita de pudim
Ajuntou todas essas delicadezas
com as cartas de quem conseguiu escrevê-las
e seguiu piscando para as estrelas
Enquanto por aqui, nossas saudades
outros versos ainda rabiscam
Ele pisca, elas piscam, ele pisca, elas piscam...
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Voltei. Com este poema em homenagem
ao Francisco Gregória Filho, que nos 
deixou dia 12 de Novembro de 2022.
Ele escreveu a orelha da segunda edição
do Ô de Casa - Rio Maranhão. E no mais,
sem comentários. Só gratidão e gratidão!
São 18:30h do dia 19 de Janeiro de 2023
Rio de Janeiro
MH 








sexta-feira, 5 de agosto de 2022

POEMETOS para novo livro

 MANOEL HERCULANO


                                              PALAVRA

Toda palavra pede silêncio para ser ouvida

Ser condenada ou absolvida

Para ter vida


                                         REALIDADE

Quem quer tornar sonho realidade, foca

Quem quer ficar na saudade, fofoca


                                  PARLAMENTAR

Mas ele é parlamentar

Ou é pra lamentar


                                       EXCELÊNCIA

Às vezes o mundo desaba

e a alma, em sua essência, fica nua

Um sonho inteirinho acaba

mas a vida, em sua excelência, continua

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*** E depois de mais algum tempo passado, volto com esses poemetos,

que estou selecionando para o novo livro, POEMAS SÃO DESTINOS,

que lançarei este ano em comemoração aos meus 15 anos de Poesia,

completados dia 29 de junho. O terceiro livro! Hoje são 5 de agosto de

2022, 17:15h. E JÔ SOARES partiu esta madrugada em SP. Luz e Paz!

# 

segunda-feira, 14 de março de 2022

segunda-feira, 8 de março de 2021

DE NOVO EM CASA

 MANOEL HERCULANO 


Renovar é ação, é renovação

renascer numa segunda e nova edição

Sim, o filho nasceu novamente

e neste renascimento

uma nova mente

renovada por cada semente

daqueles poemas semeados pelas estradas

que atravessaram dias

extravasaram nas madrugadas

com muito mais vigor

para celebrar todo verso que vingou

Novidades reescritas, redescobertas

manuscritas na imaginação em noites desertas

Foi então que o ano terminou

e a poesia teimou em continuar

mas nada do ano novo começar

nem desanuviar

Dois mil e vinte e um é mais que 20+20+1

é um ano pedindo tempo para revisão

para rever a visão, a empatia

a comunicação telepática da tecnologia

tempo de se voltar mais e mais à poesia

E eis que um livro gerou outro livro

um verso, frente e verso, capa e cara de alívio

Orelha, prefácio, miolo, rodapé

parece fácil

mas página por página

cada poema profetiza sua fé

Renasceu perfeito, apenas um ou outro defeito

filhos, já proclamaram, melhor não tê-los

ah, mas como é bom reconhecê-los

E agora vai, meu novo velho livro

vai na boa, na paz, voa mais

foge daquelas estantes arquivo

Vai de mão em mão

fica nas memórias

leva para outras paragens

parágrafos de mensagens

e na volta me conta novas histórias

Pra isso te liberto neste mundo vasto mundo

segue renascendo, meu capítulo segundo

te dou minha palmada, nada de palmatórias

Agradeça sempre as palmas

e não esqueça, poemas são portais

uma vez abertos

atingem mentes, corações, almas

tornam-se reles imortais

Então, se quem casa quer casa

não se avexe

se achegue feito abraço que aquece

estamos de novo em casa

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VOLTEI, após meses!... Aliás, mais de um ano!?!... Com este poema que escrevi para

a segunda edição do Ô  DE CASA RIO MARANHÃO, que

sairá agora em ABRIL. AMÉM!

Rio, 08-03-2021

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

PROFISSÃO

MANOEL HERCULANO


Olá, professora
como vai esta profissão
outrora tão promissora?

É certo que segue a procissão
mas nesses tempos de vai e vem
entra e sai
Dona Educação parece não saber
para onde vai.

Tempos de pedágios, presságios...

Quero uma aula consulta
que pegue o poema de calça curta
para unir os versos deste Rio
no universo, na UniRio.

Com a museologia da imagem e do som
o velho, o novo e um Natal bom.

A metodologia da comunicação
um Ano Novo com mais poesia
muito luz, câmera, ação!

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De volta, com este poema em homenagem à
professora/amiga oculta Ana Lúcia de Castro,
na Roda de Leitura Quintelena.
Meus livros TODOS SÃO POETAS NA PRAÇA,
e Ô DE CASA - RIO MARANHÃO continuam à
venda somente comigo. Poesia! Salve!
São 19:30h do dia 6.12.2019
Contatos abaixo.
Abraços.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

QUITANDA MH


 À venda somente com o autor

          LIVROS
Todos são Poetas na Praça
Ô de Casa - Rio Maranhão

      APRESENTAÇÕES
Espelho de Palavras
Poesia em Domicílio

         CONTATOS
Para comprar Livros e contratar apresentações:
Espetáculo ou Performance, em Espaço Cultural,
em seus eventos, suas comemorações, sua casa. 
(21) 99729-3642
e-mail: poetaherculano@gmail.com
Instagram: @poetamanoelherculano

domingo, 26 de maio de 2019

TODOS SÃO POETAS NA PRAÇA

MANOEL HERCULANO


Meus senhores e senhoras
Poemas de todas as horas
Podem entrar que a casa é sua
Estamos no olho da rua
Mas se a praça é do povo
Vamos voltar lá de novo
Beber poesia na taça
Todos são poetas na praça

Eu vim de lá já bem grandinho
Sem essa de dar um jeitinho
Entro e saio sem arranhão
Sou ilha e mar, sou Maranhão
A minha prosa acontece
Quando um verso o outro tece
E transbordam peito e taça
Todos são poetas na praça

Meus amores e memórias
Guardadores de histórias
Protetores dos saraus
Dos poetas no seu caos
O poeta é um portador
Que com seu verso encantador
Brinda levantando a taça
Todos são poetas na praça

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*****Repostando este poema, que dá título ao
segundo e novo livro, lançado dia 9/5/2019. Fiz
há bastante tempo, mas não entrou no primeiro
livro, "Ô de Casa, Rio Maranhão", lançado em
2017 e à venda comigo também, porque já havia
a intenção de usá-lo no próximo. Salve! São 16:30h
do dia 26/5/2019. Agora são 2 livros. Gratidão!

CONTATOS: (21) 99729-3642, e nas Redes Sociais
Para adquirir os LIVROS e contratar APRESENTAÇÕES
e-mail:  poetaherculano@gmail.com
Instagram: @poetamanoelherculano

sexta-feira, 29 de março de 2019

OUTONOS

MANOEL HERCULANO


Em todos os outonos
parece que a mesma folha cai, cai, cai
Recordo abandonos
nas 4 estações sem mamãe nem papai
Relembro os Momos
que sempre vêm para saírem na Vai Vai
E reparadores sonos
que se vão sem se quer dizerem bye bye
Então entre kimonos
me transporto pro Japão feito um haikai
E sem ter donos
viro uma espécie de mineiro samurai, uai
Dispenso abonos
me basta uma justa e eficiente rede wifi
Quintos amores e nonos
nos tirem desta lama, paz nos dai, Dalai
Em seus tronos
há dias em que elas falam para a saia: sai
Nordeste sem fonos
dizemos assim: Raí, ramo? Eu rô, tu rai?

***** Olá, estou de volta com este poema que escrevi
recentemente, mas como deve entrar no livro "Todos são
Poetas na Praça", que pretendo lançar agora em abril,
resolvi postá-lo. E viva o outono! Gratidão. Abraços.
São 15:30h do dia 29/03/2019. Salve!!!

CONTATOS: (21) 99729-3642, e nas Redes Sociais
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Instagram: @poetamanoelherculano   

domingo, 24 de fevereiro de 2019

REZA

MANOEL HERCULANO


Rezo na praça:
Ave Maria cheia de flores e de toda graça
de lua cheia de amores quando você passa
pelo coreto dos namorados em dia de graça
Porque cidade sem a poesia de uma praça
é noite sem estrelas, sem luar, sem você
não tem graça.

***** Demorei, trabalhando no próximo livro:
TODOS SÃO POETAS NA PRAÇA.
Este é meu poema/oração que o abrirá.
Rio, 24/02/2019, 13h. Gratidão! Abraços.

CONTATOS: (21) 99729-3642, e nas Redes Sociais
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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

TIRANDO DE LETRA

MANOEL HERCULANO

Em certo dia
quando eu ainda vivia naquele universo
onde meu verso se perdia
abri um livro à procura de uma palavra de arrimo
desde então, pelo simples senão, eu rimo
e sigo esta romaria rumo ao poético
sem a pretensão de ser profético

Livro aberto assim de forma aleatória
livre e perto da plataforma de trajetórias
letras, palavras, talvez algumas histórias
e toda história quer ser contada até virar a página
até girar pela pátria, patinar pelas mãos feito pátina
toda história fica desapontada se não chega sua vez
se não a contam outra vez, se não vira "era uma vez"

Fiquei ali alheio olhando as letras
com o mesmo olhar que tinha para minhas irmãs pretas
uma ou outra palavra falava comigo
outras não faziam o menor sentido
mas parecia que ficava subentendido
que na página seguinte
o entendimento chegaria com um certo requinte
com os ouvidos de um poema ouvinte

Quantos encantos, tantos espantos
como quem ouve ou enxerga pela primeira vez
devido a outro tipo de cegueira e surdez
porque livro é uma casa habitada
habituada com gente entrando e saindo
contente, cantando, chorando, sorrindo

Suas páginas são caminhos e avenidas
são destinos de preces atendidas
que parecem dizer: tá valendo, vai lendo
ainda existe quem consiga ler o céu
naqueles mundos sem carro nem carrossel

Quando me dei conta já sabia fazer conta
a rua já não era tão estreita
e eu já estava tirando de letra

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***** De volta. Demorei porque passei um mês no MA,
tanta coisa aconteceu! Voltei, muitas ideias, muitos poemas
iniciados mas até colocar o ponto final... Enfim, este escrevi
no Dia do Poeta (20/10/18) e coloquei o ponto final (acho)
hoje, Dia Nacional do Livro: 29/10/2018. Agora são 19h.
Ah, ontem foi o segundo turno, e deu J.Bolsonaro?! Aqui
no Rio, W.Witzel?!?! Em SP, J.Dória! Deus de Santa Isabel!



sábado, 7 de julho de 2018

A MADRUGADA É SAGRADA

MANOEL HERCULANO


Hoje em dia
os dias evaporam feito fumaça de uma tragada
E a poesia
que parece não saber quando é noite
quando é dia
cisma de fazer visitas justo de madrugada
E vem sem ser convidada, surge do nada
em tom de ameaça, faz charme, pirraça
insiste em ser escrita, se não ela grita
Ah, pára, saiba que para muitos
solidão é coisa rara
E para mim, também é simples assim
a madrugada é sagrada
Me deixa, não é esta minha maior queixa
fico bem com minha solidão, minha multidão
Sei que os poemas andam em bando
e a inspiração se vangloria: sou eu que mando
Tá bom, dona poesia, vamos ver até quando
Mas ela bate o pé, pede um café
me lembra que poesia não vinga onde há pouca fé
me xinga e continua pegando no meu pé
É que mesmo sendo solitário
há sempre um verso solidário
Ela segue a resmungar
sedutora, geniosa, condutora, poderosa
Então tá, vou pousar em outro lugar
o que não falta é quem goste de madrugar
Aí não tem perdão
não tem como cortar esse cordão
me entrego à solidão da madrugada
dessa estrada
na lentidão do silêncio da pessoa amada
E antes que o sol ilumine um novo dia
o poema que madrugou anuncia
com ou sem solidão, desista não
porque resiste a poesia

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Aqui estou de volta com este poema que escrevi recentemente,
a partir da sugestão de um tema no sarau Declame Aqui!, ficou
pronto depois, claro. Mas decidi postar. São 17:15h do dia 7 de
julho/2018. E o Brasil se despediu da copa ontem, só pra constar...
Quero ver se vamos continuar sendo "uma só voz", ano de eleição.   

terça-feira, 15 de maio de 2018

ÁUREOS CONTRATEMPOS

MANOEL HERCULANO 

Sem querer desmerecer
mas aquele 13 de maio foi apenas um ensaio  
para o que de fato deveria ser
Diante da urgência de justiça e reparo
por toda violência
tanto desamparo
Embora, certamente, naquele tempo tenha valido 
para aquele destino tão desvalido
E hoje também tem seu valor
para quem amou, para quem ama
a princesa e Luiz Gama

Após corajosas rebeliões, fugas e lutas         
por liberdade e dignidade absolutas 
Após todas as revoltas e levantes anteriores
nos grandes centros dos interiores
A gente merecia se libertar dos assombros
das perseguições aos Quilombos
Merecia o direito de viver sem aquele sofrimento
negro não nasce para se submeter
a nenhum falso poder ou falsos superiores
Negro tem alma e sentimento
os negros não são inferiores

E apesar da lei áurea esperançar
o sonho mal começou a dançar
outros desafios, mais uma bordoada
No momento seguinte, pedinte
a gente livremente atordoada
Com liberdade pela metade
outra metade equivocada
Uma felicidade tão retardatária
que toda ancestralidade precisou ser convocada
como agora, nas marchas até a Candelária

E mesmo assim, ainda hoje
os negros carregam bem vivos ainda
aqueles mais de trezentos anos de dolorosos danos

este mais de um século cheio de enganos
Os cinco milhões daquela crucial trajetória
que cruelmente entrou para a história
e igualmente não sai da memória
Porque nos jornais, redes sociais e tablóides
ecoam pelo mundo gritos de Genivaldos e Floyds
Quem vai expiar? Precisamos respirar

Aqui jaz o destino de um caminho pra lá de longe
desde mil oitocentos e onze
sem medalha de ouro nem bronze
Ao dominador só o lucro despertava interesse
e a quem sobrevivesse àquele martírio tão longo
eis aqui os restos mortais no Cais do Valongo

Vai, vai arrastar correntes
vamos, mostra logo esses dentes
e vai fazer frente, só não te atreve ir em frente
teus direitos múltiplos serão os últimos

Oh, indigno senhor, do coração de engenho
o amor que eu tinha por meus irmãos ainda tenho
É muito suor, muito sangue, muita dor
e somente por ter nascido de outra cor?
Mas, e o sorriso, o olhar, não contam?

Sim, eram contados
constatados como animais
sem considerar os anseios, os ancestrais
nenhum deles, nem os meus, nem Deus

Adeus, minha grandiosa Pequena África
e não é apenas pela distância geográfica
Aliás, o que fazer com as sequelas daquelas práticas
e com quem ainda hoje pratica, critica, discrimina
mata sonho, esperança, segue ultrapassada disciplina
apaga o brilho que sobreviveu no olhar do menino
esmaga qualquer possibilidade de voo da menina

Tal qual a ganância do estrategista que traficava
a arrogância do escravagista que lá ficava
se achando o dono, digno do trono
de um tal poder pelos descasos humanos
e do lucro com os casos desumanos 

Falo dessa desigualdade gritante         
que alimenta a miséria, ostenta, oprime
Com baixa humanidade fica-se mais distante 
marginalizar também deveria ser crime
A desigualdade normal é normal
mas tanta, que espanta, espanca, faz mal
Que faz esquecer de onde veio
e até numa pandemia
ai, que agonia, que feio

Fala, escreve, posta citações:
a felicidade está na simplicidade
Mas aposta em outras opções:
o restaurante, o celular, o carro, a mansão
tudo tem que ser muito e mais caro
e assim, ser coerente tá cada vez mais raro
Em resumo, urge o que há de mais urgente
o consumo engole gente
Luxo, requinte, tem mesmo a ver com felicidade?
faça um print, eu não vejo necessidade
Conforto é bom, e não afronta, geralmente
mas esse jeito torto
de usufruir e exibir a conta, realmente...

Já o abismo milionário entre salários exorbitantes                   
corrupção galopante e o salário mínimo
de certa forma também é uma forma de extermínio
Igual a tudo que nos aterra nessa barbárie  
em cada esquina, esquema, hectare

O que te cabe nesse latifúndio, nessa guerra
não cabe mais nem no gerúndio
ninguém te passou a escritura da terra
Penso na imensidão deste país continental
sem espaço para minha casinha branca com quintal
E no sonho avassalador que consome
o trabalhador no meio da plantação passando fome
Tanto alimento produzido, e exportado
e o povo reduzido a pobre coitado

Para haver descontração no recreio
só com descentralização, divisão meio a meio
cultura antes, depois, durante a merenda
E sobre nossas riquezas naturais
do Nordeste às Minas Gerais
nada menos que justa distribuição de renda
No testamento terá que deixar tudo fora da cova
até este teu pensamento colonial
E ainda partirá sem direito a vida nova
se duvidar, sem um mísero cerimonial
É preciso disponibilidade
é decisivo a decolonialidade

Eu não aceito, bato no peito, cismo
não tem espaço na minha poesia
pra tanta descortesia, tanto racismo
Já que uma vez cortados os cordões
cortavam também os pulsos
os impulsos dos corações
que sangravam pelos poros nos porões

Mas, nas escavações de qualquer identidade
a história desenha para algum desavisado
E pela memória, por minha autenticidade  
me recuso a continuar escravizado
Mantenho viva a abolição
vivo autenticamente em ebulição
Firme, com a cabeça erguida 
para que nenhuma luta tenha sido perdida
nenhuma vida tenha sido em vão
Eu, voando com os poemas, os pássaros
eles, ultrapassados, passarão 

Por isso venho a público, subirei ao púlpito
denunciarei todo e qualquer tenebroso vulto
Devolverei cada insulto, ávido, aviltante
que fez nascer no poema sentimento revoltante
Quanto ao perverso, ele que vá para senzala
porque aqui tem verso, aqui agora tem fala

E nem vem com ar de superioridade nos dar preço
o negro é capaz, tem valor e sabedoria
Vai em paz, senão, dos bons modos eu esqueço
e te mando, educadamente, à mercadoria
Com poesia franca para o teu preconceito
pois sou Asa branca, sou mais, sou Assum preto

Tenho registros, por isso insisto
porque o negro nasce e não é avisado
ao entrar no recinto pode até não ser visto
mas eu sinto, será sempre visado
Ao nascer, é tanto o que a vida propicia
até morrer, menos ser morto por asfixia
Chega! Xô, todo esse mal absurdo, abissal
hoje o tambor não é surdo
o som é outro na Pedra do Sal

Porque muito mais gente se importa
e quebra a corrente desse porto sem porta

Então, como direito não se discute
o racista que lute
Quero que todo e qualquer ódio negreiro
vá se estatelar em outro estaleiro
Darei nome aos bois, às vacas, às raposas
em meu nome e em nome de vós que sois
que sois mãe e pai, filhos, esposas
Desde os áureos contratempos da Lei áurea
das aulas simuladas, dissimuladas, sem treta
direi outra vez, com mais altivez: 
sou da nação negra
da colorida cor preta


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*****Enfim, este poema, que parecia resistir... Pode ser 
que ainda troque alguma palavra ou mesmo o título, mas
aqui está. Era pra ter postado anteontem, dia 13, não
ficou pronto, e nem sei se está... Bem, são 15:30h do
dia 15 de maio/2018.
*Obs: Há quase um ano comecei a pensar e escrever
após visita ao Cais do Valongo.
*Obs 2: E quatro anos depois de postá-lo aqui, decidi publicá-lo
em livro e, hoje, 29 de junho de 2022, dia que completo 15 anos de 
poesia, pela enésima vez, acho que terminei revisão. E troquei
palavras, versos e até o título de PORTO SEM PORTA para ÁUREOS
CONTRATEMPOS. Na verdade, para desapegar de vez, quero 
enviá-lo para Maria Eugênia, pois será lido no Grupo de Leitura
Vira-Luas, pela primeira vez. E pela primeira vez faço isso. Que medo!
Bem, o reescrevi, e ficou enorme, porque os últimos acontecimentos...
Infelizmente o racismo, mesmo sendo crime... A pandemia não fez a
ficha desses "seres" cair, nesta e em todas as outras questões. A barbárie
tem sido uma constante. Então o poema queria falar... São 23h, no RJ.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

QUANDOS

MANOEL HERCULANO


Quando perguntam quem sou eu
na fila do pão
lembro-me que já fiquei um tempão
sem tê-lo à mesa
apesar da minha ascendência francesa
Então
respaldado pelo idioma maranhês
respondo en passant
na fila do pão francês
não sou nada menos que croissant

Quando me dão uma rasteira
e eu caio e me quebro
não fico na esteira
sempre me saio como um requebro
Enfrento calmaria, impacto
e nesta romaria, neste pacto
mostro que quando me quebro
não viro caco
eu viro cacto

Quando tentam me reduzir
a cocô do cavalo do bandido
eu, sem dar um coice nem latido
como pessoa quase ótima que sou
com todo respeito ao agressor
honro o nome Manoel
Cito minha conterrânea
dizendo que não sou um qualquer
porque, sabe como é
nascido em Santa Isabel
mesmo se fosse um cocô
eu seria Coco Chanel

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***** Fui rápido desta vez, começando 2018,
poema em minha homenagem (desculpa, Papa
Francisco)... rsrs. QUANDOS, que tal? Um
Ano Novo iluminado com saúde, prosperidade,
poesia, paz e bem. São 14h do dia 01/01/2018.
Gratidão! 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

QUAL É O ASSUNTO?

MANOEL HERCULANO


Oi!
O quê?
Do que se trata?
Não que eu pretenda questionar você
o poema não necessita de um porquê.
Mas ainda que a poesia campeã seja grata
e o poeta não seja fã do terno e gravata
se o verso não é de ouro
mesmo com licença poética
minha intuição profética
espera que pelo menos seja de prata.
Pouco importa se é adjetivo ou adjunto
se é apenas uma obra ou o conjunto
se respondo ou se pergunto
só preciso descobrir qual é o assunto.
Não, exatamente, para entender.
Talvez, simplesmente, para pretender me situar
e não me perder viajando para outro lugar
Também não quero que o poema se cale
ele carece de quem o escreva, quem o fale.
Não é pelo fato da pessoa não ser
uma Maria Callas
que direi estupefato: por que não te calas?
Pode-se falar sobre qualquer objeto, objetivo
poema abjeto, abstrato, concreto, provocativo
de humor, paz e amor, tudo junto, tamo junto
mas por favor, qual é o assunto?
Peço que me entenda
só quero um verso que venha clarear
porém, se for sobre imposto de renda
nada a declarar.
Eu não gosto de dar trabalho
e até quando me espalho
eu mesmo me ajunto
Portanto, desculpa a insistência
a falta de paciência
é que com o tempo, às vezes, pouco é muito.
Então, para não correr riscos
e num emaranhado de rabiscos
confundir mortadela com presunto
pelo amor de Deus, qual é o assunto?

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***** Ô DE CASA!... Estou de volta, após muito tempo sem postar, 
estava/estou trabalhando/vendendo o LIVRO. Bem, voltei com este
poema escrito recentemente, já que tenho vários outros inacabados,
ideias anteriores, mas há muito tempo que ouço a seguinte pergunta:
qual é o assunto? Não sei se devo citar nomes mas, Leila Oli... rs.
Então decidi e consegui (será?) colocar um ponto final e postá-lo, 
torço para que gostem, é na linha do humor, claro. São 18h (o sino 
está tocando ali na Igreja Santo Antônio, amém!), horário de verão, 
do dia 13/12/2017. Meu agradecimento e abraços para todas/todos
visitantes. Salve, salve!

PS. Meu livro Ô DE CASA RIO MARANHÃO continua à venda

comigo, está indo muito bem, graças a Deus e a vocês que gostam
do meu trabalho. Grato! 

domingo, 1 de outubro de 2017

AMIGOS, em breve postarei novo poema, estou trabalhando alguns... Demorei bastante desta vez, mas é porque estou divulgando/vendendo o livro... Enfim, leiam os poemas aqui, leiam o meu livro Ô DE CASA - RIO MARANHÃO, à venda comigo. Fale pelo Facebook, in box, ou pelo e-mail: poetaherculano@gmail.com

Muito obrigado! Abraços.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

SOBRE O LIVRO

Ô DE CASA - RIO MARANHÃO, meu primeiro livro, foi lançado com sucesso, numa noite espetacular, dia 5.4.2017 no CCJF, e está na praça, sendo vendido por mim. Se você deseja adquirir um exemplar, fale comigo no Facebook ou por e-mail: poetaherculano@gmail.com
Ah, tem camiseta da POEME-SE também, com meu verso: "E se a vida é uma escola, então vai ter que ter recreio". Peça a sua!
E agora que tal ler minha postagem mais recente aqui no Blog? Está logo abaixo. Grande abraço!

PRÓXIMA ESTAÇÃO

MANOEL HERCULANO


Piuí, piuí, Piauí, peraí, ainda não é aí
é na próxima estação
ali no Maranhão
Mas o coração não se contém
já não cabe na cabine deste trem
e tudo certo, tudo bem
tem sido assim desde Belém
A poesia deita e rola no trilho
e nos olhos outro brilho
emoção além, a perder de vista, a mil e cem
Trem azul, trem da alegria, trem bom
trem das onze que apita ao passar por Timon
E passa tudo diante das vistas da janela
passa ela
e o trem fica mais cheio de graça
quando cruza com a Maria Fumaça
Os enamorados pegam fogo
jogam mais lenha na fogueira
uns perdem a voz
outros desenvolvem gagueira
Diante daquela paisagem pintada quadro a quadro
a seca, as cercas, a pastagem
quem ama vê beleza ao quadrado
Há sempre uma flor solitária embelezando a área
um pássaro cantante e poeta o bastante
uma lua para banhar tudo e todos sem distinção
uma residência, uma resistência
um apito, um grito
uma denúncia de extinção
Tantos lugares revisitados
olhares requisitados
que o azul vira azulejo
minha amada, há quanto tempo não te vejo
Por isso voltei ao passado
para dizer que ao teu lado meu rio é todo mar
e que o verbo amar tinha outro valor
quando eu chegava de trem na Ilha do Amor

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Estou de volta, após lançamento do meu livro
"Ô DE CASA - RIO MARANHÃO" que agora
anda comigo por aí, quem vai querer?... E com
este poema (mais um sobre trem) que entrou na
Antologia "O trem e o imaginário IV" a pedido
da querida Lydia Simonato. Participei de três:
Tempos de trem, RJ 450, e agora com este que,
sendo cobrado, enviei de última hora, mas acho
que ficou bom, resolvi postar aqui, deve entrar no
meu próximo livro com outros poemas daqui que
não entraram no "Ô de casa...", primeiro livro.
Bem, eu quero agradecer muito as visitas aqui no
Blog, têm me surpreendido. Muitos poemas estão
no livro, principalmente os que fazem parte do
espetáculo que apresento. Então leia o Blog,
compre o livro, assista/contrate o espetáculo.
Obrigado! CONTATO: poetaherculano@gmail.com
Agora é 1:20h do dia 21.04.2017, feriado... E dia
25 é meu niver, vou comemorar e lançar o livro
no Corujão da Poesia. Viva! Dia 5 foi Liiindo!!!
Abraços e beijos.
MH    



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

SOBRE O LIVRO

Ô DE CASA - RIO MARANHÃO 
Lançamento! 

Queridos amigas e amigos,
admiradoras e admiradores da minha poesia,
agradeço por não terem desistido de mim,
digo, do meu livro. Você que reservou, que pergunta, aguarde um pouquinho mais, o lançamento será em abril, mês em que também faço aniversário. Dia 5/4, das 18 às 21h,
no CCJF - Centro Cultural da Justiça Federal,
Av. Rio Branco, 241 - Centro, RJ.
Até lá! Já tem evento no Facebook.                                                     Muito obrigado! Abraços.                                                                   MHerculano
               
PS.1: Já foi lançada minha camiseta POEME-SE,
          com o verso "E se a vida é uma Escola,
          então vai ter que ter recreio". 
          Veja no Facebook.
PS.2: Por enquanto, leia os poemas aqui no Blog.