domingo, 14 de março de 2010

O QUINTO AMOR

Manoel Herculano


Todos, ou quase todos, lembram do primeiro beijo, do primeiro amor, da primeira vez
Eu diria que, talvez, tenha uma vaga lembrança
Não que eu fosse assim tão criança, ou que não tenham tido importância
Mas é que a minha alma se agita, esperneia, grita
E o bode velho do meu coração parece uma cabrita
De tanto que pula aqui no meu peito, que palpita
Me deixando sem saber o que ainda sinto
É quando eu me lembro daquele amor, o quinto
Ah, como o quinto amor me marcou!
Tanto que eu nem ouvia sinos, como os outros meninos
O que eu ouvia mesmo eram tambores
Por isso nunca o esqueci, entre tantos amores
Meu quinto e querido amor, jamais esquecerei o som daquele tambor
"Os tambores de São Luís", de Josué Montello
Porque "assim é se assim lhe parece", como diria Pirandello
Ou "Os tambores de Minas", do Milton Nascimento
Apenas um alento, uma recordação de um momento tão singelo
Nós dois naquele chão de mármore, admirando o quadro daquela árvore
Onde eu ficava à sombra, sem chinelo, e com pensamentos que não revelo
Eu lembro com carinho de outros amores
Mas antes do quinto, infanto-juvenis, muito sonhadores
E os que chegaram depois, com ar distinto, não pedi bis, amadores
Portanto, que rufem os tambores, de Minas e de São Luís
Pois tenho quase certeza que só com o quinto amor eu realmente fui feliz
Mas sem rancores, e mesmo que eu chegue à quinta idade
Com minhas dores, amparado por meu chinelo e meu pijama amarelo
Ainda assim acreditarei numa possibilidade, sem saudosismo da sempre efêmera mocidade
E seja como for, todos os primeiros beijos, as primeiras vezes
Os amores de muitos anos ou poucos meses
Todos foram e serão, com louvor, em nome do meu quinto amor
Há quem minta e renegue os amores de quinta
Exaltando somente os amores à primeira vista, os pseudo-eternos
Desprezando os amores quentes, que pegaram fogo e queimaram no quinto dos infernos
Eu lembro como um todo, inclusive de um ou outro meio morno
Mas, sem lero-lero, eu relembro mais o que me tirou o chão dos pés
Porque, fala sério, o meu quinto amor, foi DEZ!


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*** Pois é, no Dia da Poesia, atendendo a pedidos (sim, pe-di-dos. Foram mais de dois...), decidi postar O QUINTO AMOR, este poema que escrevi já há algum tempo, fez sucesso na OLDI (onde ele nasceu), faz sucesso no espetáculo, nos eventos, e mais recentemente, nos CORUJÕES, tem sido muito pedido pela Natália Parreiras (obrigado), que está (?) solteira! E outros, que já viveram ou querem viver O QUINTO AMOR (no meu caso... não vem ao caso). E também o Flávio Chedid (obrigado), que desde que o ouviu no último Corujão da Poesia - Leblon (dia 9, com Jorge Ben Jor, o padrinho), vem me pedindo, por estar vivendo O QUINTO AMOR. Ah, preciso agradecer também o Tavinho Paes, que já o pediu algumas vezes. E sendo assim, viva a POESIA e o AMOR, principalmente O QUINTO!

P.S. Olha só, eu fui citar nomes, acabei cometendo injustiças. Claro, Marina "morena" Marina Vilela, você também tem dado a maior força para este poema. Muito obrigado, e pode divulgá-lo à vontade. Beijos. Valeu!

sexta-feira, 5 de março de 2010

T I N T I M

MANOEL HERCULANO


POR TI, POR MIM, TINTIM POR TINTIM.
NA TERRA DO OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE
DE REPENTE, ELAS POR ELAS, QUATRO POR QUATRO
ELES NA DELAS, POSES AMARELAS PARA RETRATO.
SEIS POR MEIA-DÚZIA, DEGRAU POR DEGRAU
GATO POR LEBRE, E NADA MAIS QUE UM MIAU.
VIVER POR VIVER, NÃO LEVA A LUGAR NENHUM
SÓ VOU SE FOR UM POR TODOS, TODOS POR UM.

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*** Este, talvez seja apenas um brinde mesmo...
Quanto ao horário, é 1:40h do dia 06/03/10